sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Previsão de chuva

Atravesso a estrada
Nem vejo em baixo
As poças de água
Estragando o sapato
Descolando a sola
Que vem manchando
O tecido úmido da meia
Que apodrece meu passo
Circulo entre eles
Nem consigo evitar
Fumaças e gazes
Aguardo para respirar
Do outro lado distante
Um ar purificado
Do fedor constante
Do transito fechado
A próxima pancada
Me deixa ensopado
Mais do que a outra
E nenhum vento
Nunca me seca
E me deixa mais frio
Sem guarda-chuva
De novo, exposto
Nuvens já ameaçam
Pela intensa cor preta
Se juntando eles fecham
O caminho da luz fraca
De uma paisagem
Expiada de toda cor
Na delicada passagem
Do temporal da dor
Não consigo olhar
Para cima ou para frente
Não consigo evitar
A natureza doente
De jogar os pedaços
Que meus braços descartam
Passando por abrigos
Que desmoronam
Logo não poderei lutar
Contra os elementos
Terei que me ajoelhar
De braços cruzados
Esperar a cara na lama
Cair o relâmpago
Para eu virar cinza
E levantar, espalhado
Dante a dit
Au milieu du chemin de notre vie, ayant quitté le chemin droit, je me trouvai dans une forêt obscure. Ah! qu'il serait dur de dire combien cette forêt était sauvage, épaisse et âpre, la pensée seule en renouvelle la peur, elle était si amère, que guère plus ne l'est la mort; mais pour parler du bien que j'y trouvai, je dirai les autres choses qui m'y apparurent.
sábado, 26 de setembro de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O cachorro azul se pergunta...
...se o declínio do mundo não teria realmente começado na invenção do Tupperware.
sábado, 6 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Sentido

Perder a liberdade
De poder falar tudo
Para sua pessoa
Que hoje ouve nada
Amanhã? Se pudesse
Que a vida ensina
A mudar esse jeito
De ficar a mesma
Porque se traindo
Teremos perdido
Ela por inteira
Se perde sua pessoa
Sua pessoa se perde
Não se tocar
Não sentir
Que perder o gosto
De ouvir o que
O outro vê
Não faz sentido
quinta-feira, 16 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Era uma vez...
domingo, 12 de abril de 2009
Coelho de Páscoa para cachorro azul
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Alto mar

A onda tem a virtude
De não te deixar afogado
De não te manter imóvel
O corpo se mexa na luta
Enquanto a mente trava
E as chamadas para vida
São poucas entre elas
São muitas dentro dela
E a liberação da grávida
Fica uma lembrança
Da liberação da gravidade
Do caminho para o altar
Pela baixarias do autor
Até o caminho para o alto
Do fundo da poça
Do fundo do poço
No fundo do mar
Lá está o cachorro
Nadando
terça-feira, 7 de abril de 2009
Um momento

Entre a linguiça e a azeitona
Dois copos para sossegar
Um fatia de ontem
Um razão de se lembrar
Uma lembrança para hoje
Uma razão de esperar
Uma esperança pro futuro
Um futuro suspenso no ar
Um balanço, uma trégua
Suspensas no ar
Todas as razões de brigar
Suspensas no ar
Todas as razões de se aliviar
Suspensas no ar
Fica aí dormindo
Até a comida acabar
Um momento
Para respirar
The Beghini of the end
A última guerrilha

Os soldados do batalhão da vida
Nem terminaram de curar a ferida
Que já tem que voltar ao combate
Para ver se eles conseguem batalhar
Não escolhem as armas nem o terreno
Se colocam em pé a espera do fogo amigo
Recebendo tiros na dignidade do silêncio
Para ver se eles conseguem aguentar
Prevenidos do perigo iminente
Eles ficam em baixo na tranqueira
Contando o que sobra de tempo
Para ver se eles conseguem se levantar
Vem a hora de ficar descoberto
E gastar no ataque deseperado
As ultimas balas de esperança
Para ver se eles conseguem enfrentar
O brinquedo de plástico na mão
Frente a precisão de todos os canhões
No terreno da grama verde do lado
Para ver se eles conseguem alcançar
Os cuidados do pronto-socorro
Num instante de trégua inesperado
Levantarão a flor e a bandeira
Para ver se eles conseguem se curar
Na hora das medalhas e decorações
Na sala do instável cessar-fogo
Sentarão do lado, de costas, no fundo
Para ver se eles conseguem evitar
A ultima leva de danos colaterais
Dentro deles nada terá razão da essência
E eles não perderão tudo nesse dia
Para ver se eles ainda conseguem sonhar
sábado, 28 de março de 2009
Mau contato

Sou o mau contato
Preciso do homem
Do conserto
Que está por aí perto
Alo atendente querido
Precisa se apressar
To quebrado mas funciono
To aceso mas piscando
To falando mas em mono
Fios soltos ou queimados
Mas o telefone não funciona
A ligação está cortando
Precisa se apressar
Ainda estou plugado
Tem que dar um jeitinho
Precisa se apressar
Antes que fica
Sem conserto
Sem conserto
Sem jeito para viver de novo
Melhor tirar da tomada
Evitar o curto-circuito
Vai faltar até luz
Para execução
Vai faltar luz
Para ver no escuro
Precisa se apressar
Para restabelecer
O contato
Precisa de apressar
Para restabelecer
A conexão
sexta-feira, 20 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Macarrão para cachorro azul
Se aquela pitada do cachorro
Ainda estiver no seu bolso
Use ela para qualquer pratão
Mesmo sendo só um macarrão
Importa pouco a gordura do óleo
Mas vê se fique de olho no alho
Porque se é para ser picadinho
Lembre que espremedor foi inventado
Ainda estiver no seu bolso
Use ela para qualquer pratão
Mesmo sendo só um macarrão
Importa pouco a gordura do óleo
Mas vê se fique de olho no alho
Porque se é para ser picadinho
Lembre que espremedor foi inventado
quarta-feira, 11 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Cachorro quente para cachorro azul
Pegue uma salsicha que não brocha
Um peludo de Juiz de Fora
Um molho de cozinha criativa
Mistura tudo na panela
Acrescenta de amor uma pitada
Ta pronta a comidinha da Lapa
Um peludo de Juiz de Fora
Um molho de cozinha criativa
Mistura tudo na panela
Acrescenta de amor uma pitada
Ta pronta a comidinha da Lapa
Atrasando

Bateu na porta do meu corpo
Para ver se estava em casa
Não queria ser incomodado
Mas aí ela insiste a visita
Levanto, vai ver que ele chegou
O grande amigo da família
E da metade do mundo
A ante-sala me leva até a angustia
A angustia me leva até o medico
O medico me leva até a agulha
Um rapaz vem tocar o instrumento
O bicho acolhido com a melodia
Com a picada fico aliviado
Estúpidos gases no estomago
Fica pra próxima, meu velho
Meu câncer ainda não chegou
segunda-feira, 2 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Notícias do fim do mundo - Capítulo I : "Palmare P. Hidradenitis"

O muito sério “British Journal of Dermatology” relatou esses dias uma coisa bastante incrível, uma nova doença até agora desconhecida, ou pelo menos que não tinha nome ainda. Se trata de uma adolescente suíça de 12 anos. Uma adolescente que estava sofrendo, quero dizer além de ser adolescente e suíça. Sofria de “dolorosas lesões nas palmas das mãos” há quatro semanas. Segundo professor Vincent Piguet, dos Hospitais Universitários de Genebra, cara que parece sério também então, as mãos da menina apresentavam “grandes e espetaculares nódulos vermelhos”. Mas meu dEUS, aonde que essa menina foi enfiar essas mãos ??? Depois de alguns exames, analises e perguntas, a resposta vem : “Palmare Playstation Hidradenitis”. Se não me engano, duas das três palavras estão em latim ou alguma língua morta parecida. A terceira, a do meio, não. A razão da inflamação das mãos da menina vem simplesmente de um “uso excessivo de controle de videogame” e a receita prescrita para acabar com a inflamação é mais simples ainda : “parada total de videogame durante dez dias”. Uma coisa boa: não é sempre que quando aparece uma nova doença, a gente já tem o vacino pronto. A “Palmare PlayStation Hidradenitis” pode também ser prevenida com dois comprimidos de “pais” e três gotas de “bom senso”.
Dia 28
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A maldição do samba (de carnaval)
Que D2 me permita esse empréstimo
Do carnaval aqui é o relatório
Bem pior que uma cerveja quente
É bloco de sexta com dor de dente
Sublima é a subida do sábado
Segue até a cachoeira o cachorro
Exercício, banho, beijos e mordidas
Filhos da puta de mosquitos nas costas
Domingão, percursão, o bloco lotado
Na boca aberta, tambores latejando
Pode ser abuso de certas substâncias
Comes e bebes e fumes, essas coisas
Segunda, segunda metade, a transição
Tem que vestir a fantasia do paizão
Uma índiazinha chega na reserva
De índio isso nunca vai ser programa
Terça é a hora de juntar as tribos
Só alegria, confetes e sorrisos
Acabou até a porra da dor de dente
Pena que pequena hoje ficou doente
Quarta, temperatura que sobe e que desce
Nesse dia de apuração e de estresse
Explode coração na maior ansiedade
É lindo o seu salgueiro, parece crueldade
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Caixas

Uma caixinha sem surpresa
Esperando ser redescoberta
Os pequenos tesouros da sua infância
Que ficam presos durante a semana
Um coelhinho, um livro, uma bola
Um prato, uma colher, uma faca
Brinquedos de plástico, de madeira
Misturados no papelão da caixinha
Um pedaço de você numa prateleira
Do lado do remédio e da fralda
No armário fechado, uma caixa aberta
Um pouco de você que sempre fica
Um fragmento de historia da minha caixa
Quatro paredes, um corredor e uma porta
A alegria cheia da minha tristeza vazia
A inocência pura da minha culpa suja
Uma caixa dentro de uma caixa
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Eu sou o cachorro azul
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