quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Previsão de chuva



Atravesso a estrada
Nem vejo em baixo
As poças de água
Estragando o sapato
Descolando a sola
Que vem manchando
O tecido úmido da meia
Que apodrece meu passo

Circulo entre eles
Nem consigo evitar
Fumaças e gazes
Aguardo para respirar
Do outro lado distante
Um ar purificado
Do fedor constante
Do transito fechado

A próxima pancada
Me deixa ensopado
Mais do que a outra
E nenhum vento
Nunca me seca
E me deixa mais frio
Sem guarda-chuva
De novo, exposto

Nuvens já ameaçam
Pela intensa cor preta
Se juntando eles fecham
O caminho da luz fraca
De uma paisagem
Expiada de toda cor
Na delicada passagem
Do temporal da dor

Não consigo olhar
Para cima ou para frente
Não consigo evitar
A natureza doente
De jogar os pedaços
Que meus braços descartam
Passando por abrigos
Que desmoronam

Logo não poderei lutar
Contra os elementos
Terei que me ajoelhar
De braços cruzados
Esperar a cara na lama
Cair o relâmpago
Para eu virar cinza
E levantar, espalhado

Dante a dit

Au milieu du chemin de notre vie, ayant quitté le chemin droit, je me trouvai dans une forêt obscure. Ah! qu'il serait dur de dire combien cette forêt était sauvage, épaisse et âpre, la pensée seule en renouvelle la peur, elle était si amère, que guère plus ne l'est la mort; mais pour parler du bien que j'y trouvai, je dirai les autres choses qui m'y apparurent.

sábado, 26 de setembro de 2009