
Atravesso a estrada
Nem vejo em baixo
As poças de água
Estragando o sapato
Descolando a sola
Que vem manchando
O tecido úmido da meia
Que apodrece meu passo
Circulo entre eles
Nem consigo evitar
Fumaças e gazes
Aguardo para respirar
Do outro lado distante
Um ar purificado
Do fedor constante
Do transito fechado
A próxima pancada
Me deixa ensopado
Mais do que a outra
E nenhum vento
Nunca me seca
E me deixa mais frio
Sem guarda-chuva
De novo, exposto
Nuvens já ameaçam
Pela intensa cor preta
Se juntando eles fecham
O caminho da luz fraca
De uma paisagem
Expiada de toda cor
Na delicada passagem
Do temporal da dor
Não consigo olhar
Para cima ou para frente
Não consigo evitar
A natureza doente
De jogar os pedaços
Que meus braços descartam
Passando por abrigos
Que desmoronam
Logo não poderei lutar
Contra os elementos
Terei que me ajoelhar
De braços cruzados
Esperar a cara na lama
Cair o relâmpago
Para eu virar cinza
E levantar, espalhado

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