domingo, 30 de janeiro de 2011

Eletro encefalograma do sapo


Quando eu ouço dois torcedores de times opostos discutindo, a conversa chega num nível de vazio que qualquer debate político ou programa de TV nunca conseguiu atingir. No Brasil, não é pouca coisa não.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

“Sonho de um tempo onde se fazia sexo escutando Otis Redding”


These arms of mine está tocando na vitrola
Abrindo o túnel do tempo até essa cama
A procura das lembranças de dois corpos
Que deitaram no clímax de tempos gostosos

Não era melhor assim um tempo atrás ?
Quando a empresa era cheia de sutilezas
Se acendia uma vela na mesa de centro
E conversava em vez de jogar Guitar Hero

Je te parle d’un temps...que você não conhece
Devia usar vocabulário para que ela enlouquece
Arte complexa e delicada do uso das palavras
Onde gostosas são chamadas primeiro de musas

Usávamos o olhar para traduzir o não-dito
Que iniciava dos seus cabelos o movimento
Das suas pernas cruzadas e do tecido da saia
Em baixo e das suas mãos em cima da mesa

Saberíamos mais cedo ou mais tarde
Que iríamos até a horizontalidade
Deixar quase sem uma palavra o resto
Do que tinha sobrado ainda do nosso ego

Demorava mais tempo ainda para descobrir
O que não deixava nenhum dos dois sorrir
E você fazia questão de dobrar o seu vestido
Antes de me deixar aos detalhes do seu corpo

O tempo ainda se distendia até a luz do dia
Onde uma vez que a missa toda foi dita
Ainda tomávamos horas para conversar
Esquecendo tanto de dormir que de acordar

O resto ia ser uma história contada mil vezes
Umas flores apodrecendo ao longo dos meses
Adiando o momento da gente se despedir
Da vida que mandou de novo se desiludir

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Previsão de chuva



Atravesso a estrada
Nem vejo em baixo
As poças de água
Estragando o sapato
Descolando a sola
Que vem manchando
O tecido úmido da meia
Que apodrece meu passo

Circulo entre eles
Nem consigo evitar
Fumaças e gazes
Aguardo para respirar
Do outro lado distante
Um ar purificado
Do fedor constante
Do transito fechado

A próxima pancada
Me deixa ensopado
Mais do que a outra
E nenhum vento
Nunca me seca
E me deixa mais frio
Sem guarda-chuva
De novo, exposto

Nuvens já ameaçam
Pela intensa cor preta
Se juntando eles fecham
O caminho da luz fraca
De uma paisagem
Expiada de toda cor
Na delicada passagem
Do temporal da dor

Não consigo olhar
Para cima ou para frente
Não consigo evitar
A natureza doente
De jogar os pedaços
Que meus braços descartam
Passando por abrigos
Que desmoronam

Logo não poderei lutar
Contra os elementos
Terei que me ajoelhar
De braços cruzados
Esperar a cara na lama
Cair o relâmpago
Para eu virar cinza
E levantar, espalhado

Dante a dit

Au milieu du chemin de notre vie, ayant quitté le chemin droit, je me trouvai dans une forêt obscure. Ah! qu'il serait dur de dire combien cette forêt était sauvage, épaisse et âpre, la pensée seule en renouvelle la peur, elle était si amère, que guère plus ne l'est la mort; mais pour parler du bien que j'y trouvai, je dirai les autres choses qui m'y apparurent.

sábado, 26 de setembro de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O cachorro azul se pergunta...

...se o declínio do mundo não teria realmente começado na invenção do Tupperware.

sábado, 6 de junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sentido


Perder a liberdade
De poder falar tudo
Para sua pessoa
Que hoje ouve nada
Amanhã? Se pudesse
Que a vida ensina
A mudar esse jeito
De ficar a mesma
Porque se traindo
Teremos perdido
Ela por inteira
Se perde sua pessoa
Sua pessoa se perde
Não se tocar
Não sentir
Que perder o gosto
De ouvir o que
O outro vê
Não faz sentido

+ David Carradine is dead +

quinta-feira, 16 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Era uma vez...



Era uma vez um elefante na selva
Ele coloca um pé na merda
Ele coloca dois pés na merda
Ele coloca quatro pés na merda
E depois de um bom tempo
Ele coloca a tromba na merda
Porque de ficar na merda tanto
Ele consegue não sentir mais
O cheiro

domingo, 12 de abril de 2009

Coelho de Páscoa para cachorro azul


Para engolir o coelho da páscoa
Tire a pele e cada orelha
Senão você vai se asfixiar
Seria uma pena estragar
O que pode ficar delicioso
Por uma bolinha de pelo
Travada no fundo da garganta
Depois com doce tudo passa

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Alto mar



A onda tem a virtude
De não te deixar afogado
De não te manter imóvel
O corpo se mexa na luta
Enquanto a mente trava
E as chamadas para vida
São poucas entre elas
São muitas dentro dela
E a liberação da grávida
Fica uma lembrança
Da liberação da gravidade
Do caminho para o altar
Pela baixarias do autor
Até o caminho para o alto
Do fundo da poça
Do fundo do poço
No fundo do mar
Lá está o cachorro
Nadando

terça-feira, 7 de abril de 2009

So do we...

Um momento



Entre a linguiça e a azeitona
Dois copos para sossegar
Um fatia de ontem
Um razão de se lembrar
Uma lembrança para hoje
Uma razão de esperar
Uma esperança pro futuro
Um futuro suspenso no ar
Um balanço, uma trégua
Suspensas no ar
Todas as razões de brigar
Suspensas no ar
Todas as razões de se aliviar
Suspensas no ar
Fica aí dormindo
Até a comida acabar
Um momento
Para respirar

The Beghini of the end



Acabou o precioso licor amarelo
Deixando o amigo transparente
Solteiro do lado do copo
O conta gotas está virado
Como já um tempo está o mundo
Deixando cair aos poucos
Os centímetros do precipício
Do vazio do fundo
Da garrafa de vidro

A última guerrilha



Os soldados do batalhão da vida
Nem terminaram de curar a ferida
Que já tem que voltar ao combate
Para ver se eles conseguem batalhar

Não escolhem as armas nem o terreno
Se colocam em pé a espera do fogo amigo
Recebendo tiros na dignidade do silêncio
Para ver se eles conseguem aguentar

Prevenidos do perigo iminente
Eles ficam em baixo na tranqueira
Contando o que sobra de tempo
Para ver se eles conseguem se levantar

Vem a hora de ficar descoberto
E gastar no ataque deseperado
As ultimas balas de esperança
Para ver se eles conseguem enfrentar

O brinquedo de plástico na mão
Frente a precisão de todos os canhões
No terreno da grama verde do lado
Para ver se eles conseguem alcançar

Os cuidados do pronto-socorro
Num instante de trégua inesperado
Levantarão a flor e a bandeira
Para ver se eles conseguem se curar

Na hora das medalhas e decorações
Na sala do instável cessar-fogo
Sentarão do lado, de costas, no fundo
Para ver se eles conseguem evitar

A ultima leva de danos colaterais
Dentro deles nada terá razão da essência
E eles não perderão tudo nesse dia
Para ver se eles ainda conseguem sonhar

sábado, 28 de março de 2009

Mau contato



Sou o mau contato
Preciso do homem
Do conserto
Que está por aí perto
Alo atendente querido
Precisa se apressar
To quebrado mas funciono
To aceso mas piscando
To falando mas em mono
Fios soltos ou queimados
Mas o telefone não funciona
A ligação está cortando
Precisa se apressar
Ainda estou plugado
Tem que dar um jeitinho
Precisa se apressar
Antes que fica
Sem conserto
Sem conserto
Sem jeito para viver de novo
Melhor tirar da tomada
Evitar o curto-circuito
Vai faltar até luz
Para execução
Vai faltar luz
Para ver no escuro
Precisa se apressar
Para restabelecer
O contato
Precisa de apressar
Para restabelecer
A conexão

quinta-feira, 12 de março de 2009

Macarrão para cachorro azul

Se aquela pitada do cachorro
Ainda estiver no seu bolso
Use ela para qualquer pratão
Mesmo sendo só um macarrão
Importa pouco a gordura do óleo
Mas vê se fique de olho no alho
Porque se é para ser picadinho
Lembre que espremedor foi inventado

quarta-feira, 11 de março de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Cachorro quente para cachorro azul

Pegue uma salsicha que não brocha
Um peludo de Juiz de Fora
Um molho de cozinha criativa
Mistura tudo na panela
Acrescenta de amor uma pitada
Ta pronta a comidinha da Lapa

Atrasando



Bateu na porta do meu corpo
Para ver se estava em casa
Não queria ser incomodado
Mas aí ela insiste a visita
Levanto, vai ver que ele chegou
O grande amigo da família
E da metade do mundo
A ante-sala me leva até a angustia
A angustia me leva até o medico
O medico me leva até a agulha
Um rapaz vem tocar o instrumento
O bicho acolhido com a melodia
Com a picada fico aliviado
Estúpidos gases no estomago
Fica pra próxima, meu velho
Meu câncer ainda não chegou

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ressaca

Eu bebo sim porque eu não estou vivendo
Tem gente que não bebe, eu não sei como

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Notícias do fim do mundo - Capítulo I : "Palmare P. Hidradenitis"



O muito sério “British Journal of Dermatology” relatou esses dias uma coisa bastante incrível, uma nova doença até agora desconhecida, ou pelo menos que não tinha nome ainda. Se trata de uma adolescente suíça de 12 anos. Uma adolescente que estava sofrendo, quero dizer além de ser adolescente e suíça. Sofria de “dolorosas lesões nas palmas das mãos” há quatro semanas. Segundo professor Vincent Piguet, dos Hospitais Universitários de Genebra, cara que parece sério também então, as mãos da menina apresentavam “grandes e espetaculares nódulos vermelhos”. Mas meu dEUS, aonde que essa menina foi enfiar essas mãos ??? Depois de alguns exames, analises e perguntas, a resposta vem : “Palmare Playstation Hidradenitis”. Se não me engano, duas das três palavras estão em latim ou alguma língua morta parecida. A terceira, a do meio, não. A razão da inflamação das mãos da menina vem simplesmente de um “uso excessivo de controle de videogame” e a receita prescrita para acabar com a inflamação é mais simples ainda : “parada total de videogame durante dez dias”. Uma coisa boa: não é sempre que quando aparece uma nova doença, a gente já tem o vacino pronto. A “Palmare PlayStation Hidradenitis” pode também ser prevenida com dois comprimidos de “pais” e três gotas de “bom senso”.

Dia 28



Que pena, hoje acaba fevereiro
De longe o mês menos chato do ano
Que seja em 2009 ou em 2090
Sempre será o que mais se aguenta
Não se trata de um mistério nem de ciências
Pois fevereiro só tem 28 dias

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A maldição do samba (de carnaval)



Que D2 me permita esse empréstimo
Do carnaval aqui é o relatório
Bem pior que uma cerveja quente
É bloco de sexta com dor de dente

Sublima é a subida do sábado
Segue até a cachoeira o cachorro
Exercício, banho, beijos e mordidas
Filhos da puta de mosquitos nas costas

Domingão, percursão, o bloco lotado
Na boca aberta, tambores latejando
Pode ser abuso de certas substâncias
Comes e bebes e fumes, essas coisas

Segunda, segunda metade, a transição
Tem que vestir a fantasia do paizão
Uma índiazinha chega na reserva
De índio isso nunca vai ser programa

Terça é a hora de juntar as tribos
Só alegria, confetes e sorrisos
Acabou até a porra da dor de dente
Pena que pequena hoje ficou doente

Quarta, temperatura que sobe e que desce
Nesse dia de apuração e de estresse
Explode coração na maior ansiedade
É lindo o seu salgueiro, parece crueldade

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Caixas














Uma caixinha sem surpresa
Esperando ser redescoberta
Os pequenos tesouros da sua infância
Que ficam presos durante a semana
Um coelhinho, um livro, uma bola
Um prato, uma colher, uma faca
Brinquedos de plástico, de madeira
Misturados no papelão da caixinha
Um pedaço de você numa prateleira
Do lado do remédio e da fralda
No armário fechado, uma caixa aberta
Um pouco de você que sempre fica
Um fragmento de historia da minha caixa
Quatro paredes, um corredor e uma porta
A alegria cheia da minha tristeza vazia
A inocência pura da minha culpa suja
Uma caixa dentro de uma caixa

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

In the mood for Wong Kar-Wai

Eu sou o cachorro azul



Eu sou o melhor de nós e o pior de todos
Eu sou o melhor amigo e o rival
Eu sou o melhor de mim e o pior dele
Eu sou o fiel protetor
Eu sou o observador
Eu vejo vocês
Eu sou vocês
Eu sou ele
Eu sou o cachorro azul